terça-feira, 20 de outubro de 2015

mars one

Novos achados da sonda Curiosity indicam que Marte pode ter oferecido condições para suportar a vida muito antes do que se imaginava. Até pouco tempo, sempre se cogitou que este período considerado habitável do planeta tivesse ocorrido há centenas de milhares de anos, uma “janela” considerada muito pequena para os padrões da origem da vida. Diante das novas descobertas reveladas pela sonda da Nasa, essa contagem mudou drasticamente.

Segundo afirmou na última semana John P. Grotzinger, cientista da Divisão de Ciências Geológicas e Planetárias de Caltech, da Nasa, a caminhada do Curiosity ao longo de um ano até o Monte Sharp indicou uma forte e nova evidência de que a Cratera Gale já possuiu grandes lagos, rios e deltas, dentro e fora, há milhões ou dezenas de milhões de anos. A geologia mostra que, mesmo quando a água dessa superfície secou, muita água ainda teria permanecido no subsolo.

Contudo, nada disso prova que tenha existido vida no planeta, mas no caso dos primórdios de Marte, isso indica que o planeta estaria “maduro” e pronto para oferecer condições ao desenvolvimento de vida. Ainda não se pode ir mais longe nas afimações porque existe uma lacuna científica na análise e identificação de compostos orgânicos - os blocos de construção da vida à base de carbono. Em dezembro, a Nasa agendou uma coletiva de imprensa em que serão anunciadas novas informações sobre a busca da vida em Marte.
O fato é que o Curiosity não carrega instrumentos de detecção de vida, pois não há consenso sobre como este equipamento deveria ser. Sabe-se que a busca por uma possível vida marciana envolveria a escavaçao profunda da superfície do planeta. Por essa razão, os cientistas há muito tentam lançar uma missão para trazer amostras de rochas e solo marciano de volta à Terra para análise sofisticada. A missão à Marte programada para 2020 seria o início de um esforço para experimentação de métodos para selecionar e armazenar amostras promissoras.

Assista ao vídeo sobre a fuga da Terra. Marte sería nossa próxima casa?
http://player.theplatform.com/p/XGTzKC/baUOywV_sFjh/select/piLaoPjJQMog

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

the overview effect

“Uma vez que uma fotografia da Terra tirada de fora estiver disponível, uma nova ideia tão poderosa quanto qualquer outra na História vai se disseminar”. A frase, do astrônomo inglês Fred Hoyle, abre o curta documentárioOverview, lançado em 7 de dezembro de 2012 – exatos 40 anos depois da foto ter sido efetivamente divulgada.
Chamada de The Blue Marble (A bolinha de gude azul), a imagem capturada em 1972 pela tripulação da Apollo 17, a caminho da Lua, foi alvo de grande admiração. Gerou em muita gente o sentimento de que nosso lar é frágil e vulnerável, especialmente nos ativistas ambientais da década de 70.
Se uma fotografia é capaz de despertar tal consciência, imagine estar pessoalmente no espaço e ver a Terra bem ali, diante de seus olhos. A experiência tem nome: é o “efeito visão global”, descrito em 1987 por Frank White no livroThe Overview Effect – Space Exploration and Human Evolution (O Efeito Visão Global – Exploração Espacial e Evolução Humana).
Em linhas gerais, trata-se de um salto cognitivo, uma mudança profunda na forma de ver o planeta e o lugar da humanidade nele. Quem vive isso entra em um estado semelhante ao da meditação, só que totalmente consciente e sem nenhum vínculo religioso. As fronteiras nacionais desaparecem, e todos os conflitos parecem se tornar insignificantes.
A causa é a mudança radical de perspectivas: da superfície, a Terra parece não ter fim; quando visto em órbita, nosso planeta se mostra um pequeno ponto azul flutuando na vastidão escura do cosmos. Surge a necessidade de se viver em uma sociedade planetária, em comunhão com o meio ambiente.