quinta-feira, 21 de março de 2013

Sofá Cama


 Três pessoas, dois homens e uma mulher, dividem uma noite em um ainda desconhecido apartamento.

Não foi roubo, nem invasão de propriedade. Era como a cena final de um filme, uma casa escura e de porta escancarada, aberta no meio da praia, um dia de tempo feio de céu cinzento. Usaram a casa, velha e esquecida, comida pelos cupins até, para satisfazer as urgências do triciclo.

Tríade, trinômio, trindade, trímero, triângulo, tribo. 
Os três se amam e por isso odeiam um ao outro. Estão em constante competição um pelo outro, atos de egoísmo sem fim, nada a ver com aquele amor-utópico-altruísta-biblíco. Estão em constante provação para si próprios e para o mundo. Sentimentos que corroem, de querer bem mas querer um, de querer satisfazer os desejos e inflar o próprio ego, rejeição à ideia de acabar sozinho. Tudo se confunde: um é um, mas também são os outros.
- No final, tudo isso aqui é necessidade - pensa Egoísta, a menina com os olhos castanhos naturalmente arregalados divagando pelo quarto, pelas cortinas, enquanto um deles chega, cabra manso, por trás. - Desejo individual de seduzir um deles, sentimento que corrói, ansiedade e insegurança... Mas urgências satisfeitas, sempre, e uma filosofia de amor livre poligâmico tão boa e tão difícil de rejeitar, sempre pelo menos um apoiado no ombro para ouvir os lamúrios...

O primeiro homem segue seu senso altruísta de dar prazer aos próximos. Termina, satisfeito consigo mesmo, se sentindo bem, de ego inflado. Beija o rapaz que logo sai para o banho, a moça ajoelha. Ele põe as mãos por trás da cabeça. Ele, Desejo, gosta do flerte, do preliminar, da atenção em dobro, de satisfazer em dobro.
Diante de brigas e pressões, queriam definir a relação. Discussões, choros incessantes. Acabam ali, esparramados, na casa, vazia, sozinhos e à sós. Se viram aqui pois a idéia de acabar em três era ruim, mas não era pior do que acabar sozinho.
O segundo homem, Carência, sai do chuveiro, após, e vê a moça e o primeiro homem na cama, se fitando, os olhos castanhos dela refletindo no verde esmeralda do dele. Parece amor, paixão, carinho, cumplicidade, e o segundo homem sente-se roda da frente do triciclo, abandonada, e teme. Quer continuar fazendo parte do triângulo. "Quero que o triângulo represente o tripé, apoio dos três lados, as três pontas firmes fincando no chão mutuamente. Não quero ver um triângulo não-triângulo, que seriam duas pessoas sendo felizes enquanto eu olho de fora. O complicado é que, se por um lado o três signifique ter duas opções, por outro ele significa a real e constante possibilidade de ser a ponta solta do triângulo, de se acabar sozinho.".
Mal sabem que tudo pode ser e deve ser o que se quiser: não tem que fazer nada - basta ser o que se é.

De Beatriz Roedel para Tripé

quarta-feira, 20 de março de 2013

Annie



A mulher perdigueira sofre um terrível preconceito no amor. Como se fosse um crime desejar alguém com toda intensidade. Ela não deveria confessar o que pensa ou exigir mais romance. Tem que se controlar, fingir que não está incomodada, mentir que não ficou machucada por alguma grosseria, omitir que não viu a cantada do seu parceiro para outra. Ela é vista como uma figura perigosa. Não pode criar saudade das banalidades, extrapolar a cota de telefonemas e perguntas. É condenada a se desculpar pelo excesso de cuidado. Pedir perdão pelo ciúme, pelo descontrole, pela insistência de sua boca. Exige-se que seja educada.

terça-feira, 19 de março de 2013

Quarto Sala


Três pessoas, dois homens e uma mulher, dividem uma noite e um ainda desconhecido apartamento. 

Os três se amam e por isso odeiam um ao outro. Estão em constante provação para si próprios e para o mundo. Se viram aqui pois a idéia de acabar em 3 era ruim, mas não era pior do que acabar sozinho. E se por um lado o 3 signifique ter duas opções, por outro ele significa a real e constante possibilidade de ser a ponta solta do triângulo, de se acabar sozinho.





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e quem quiser curtir, a trilha sonora também é válida(após 1:02): 


segunda-feira, 18 de março de 2013

domingo, 17 de março de 2013

Vamos ao que viemos

E agora é orçamento, cronograma, escreve projeto, reescreve projeto, seleciona material, joga material fora, recolhe idéia, recicla idéia.

quarta-feira, 13 de março de 2013

A saudade faz o amor aumentar, sabia?

O momento agora foi de colocar a cabeça no lugar e pensar em tudo o que foi feito até aqui. Estamos no meio de um processo muito nosso, e que tenho orgulho de dizer que sim, estamos NO MEIO! ainda não chegamos no fim, mas já passamos do começo... Esse tempo que a gente teve pós-cometa cenas pós-ensaios loucos pós-desespero de "será que o que a gente tá fazendo é legal?".... olha, como minha mãe mesmo diz, de milho em milho a galinha enche o papo, e acredito eu, que no fim desse ano a galinha do tripé vai estar de barriga cheia! (:
VAMO QUE VAMO, que agora que bateu março e 2013 grita por trabalho!!!!!!!!!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Camões

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

                                                               

quinta-feira, 7 de março de 2013

a antártica pede desculpas ao Amyr Klink





          Nosso sonho se perdeu 
          No fio da vida e eu 
          Vou me embora 
          Sem mais feridas 
          Sem despedidas 
          Eu quero ver o mar




sábado, 2 de março de 2013

Eu fiquei feliz...

Afinal, ficamos, estamos e continuaremos contigo, amor!

em breve fotos da apresentação do Eloquência!

obrigada a todos que foram!

(:



TtTripé!

corredor


outro mundo me habita
habita-me outro mundo
esse mesmo de portas grandes e cinzas
esse que transborda o tragar ofegante
a falta da fala
a ausência do medo
a vida como sonho que grita
grita forte
outro mundo me habita
habitam outros mundos
onde a chuva vira vilã
onde a transparência das paredes não ultrapassa o concreto
concreto molhado