“Uma vez que uma fotografia da Terra tirada de fora estiver disponível, uma nova ideia tão poderosa quanto qualquer outra na História vai se disseminar”. A frase, do astrônomo inglês Fred Hoyle, abre o curta documentárioOverview, lançado em 7 de dezembro de 2012 – exatos 40 anos depois da foto ter sido efetivamente divulgada.
Chamada de The Blue Marble (A bolinha de gude azul), a imagem capturada em 1972 pela tripulação da Apollo 17, a caminho da Lua, foi alvo de grande admiração. Gerou em muita gente o sentimento de que nosso lar é frágil e vulnerável, especialmente nos ativistas ambientais da década de 70.
Se uma fotografia é capaz de despertar tal consciência, imagine estar pessoalmente no espaço e ver a Terra bem ali, diante de seus olhos. A experiência tem nome: é o “efeito visão global”, descrito em 1987 por Frank White no livroThe Overview Effect – Space Exploration and Human Evolution (O Efeito Visão Global – Exploração Espacial e Evolução Humana).
Em linhas gerais, trata-se de um salto cognitivo, uma mudança profunda na forma de ver o planeta e o lugar da humanidade nele. Quem vive isso entra em um estado semelhante ao da meditação, só que totalmente consciente e sem nenhum vínculo religioso. As fronteiras nacionais desaparecem, e todos os conflitos parecem se tornar insignificantes.
A causa é a mudança radical de perspectivas: da superfície, a Terra parece não ter fim; quando visto em órbita, nosso planeta se mostra um pequeno ponto azul flutuando na vastidão escura do cosmos. Surge a necessidade de se viver em uma sociedade planetária, em comunhão com o meio ambiente.