quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Oitavo Quadro

Margarida cai dramaticamente sobre a cama, morta.

GODOFREDO
Margarida! Margarida!
Oh, céus! Morreu!
Oh, provação insana,
Vê-la morta nessa cama!
Oh, morte traiçoeira!
Oh, víbora traiçoeira!
Oh! Oh! Oh!

Ele se ergue, enfim, alegre.

GODOFREDO
Enfim o céu lembrou de mim.
Meu cativeiro chegou ao fim.
E livre, livre, livre, agora estarei!
Sempre livre, livre, livre
Sempre sonhei!

Margarida volta a dar sinas de vida.

GODOFREDO
Oh, céus! Oh, céus!
Margarida ressuscita!
O meu coração palpita!
(Profundamente infeliz) Sou outra vez feliz!
Feliz! Feliz! Feliz!

MARGARIDA
Voltei das profundas,
Com brasas na bunda,
Godofredo, meu amor,
Que calor!
O inferno é um horror!
Preciso escapar à condenação
Por isso suplico,
Imploro o teu perdão.

GODOFREDO
(Cínico) Perdoar-te-ei, querida,
Pelo amor de uma vida?

MARGARIDA
Oh, como dói morrer no pecado!
As chamas do inferno me torrarão o rabo!
O remorso me invade,
Oh, grande Deus, piedade!
(Sufocada pela tosse) Godofredo, socorro!
Godofredo, de novo, eu morro!

Ela, enfim e finalmente, morre.
Alcione Araújo - "Doce Deleite"