sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Quando estava morta, ele a deitou no chão, em meio aos caroços de nectarina, e rasgou o seu vestido, e o fluxo de aroma tornou-se uma enchente, inundando-o com o seu cheiro agradável. Ele mergulhou o rosto na sua pele e, com as narinas bem infladas, percorreu o ventre até o peito, até o pescoço, percorreu o seu rosto e os cabelos, voltando até o ventre, descendo até o seu sexo, até suas coxas, até suas pernas brancas. Ele a farejou da cabeça até os dedos dos pés, coletou os últimos restos de sua fragância no queixo, no umbigo e nas dobras dos cotovelos.




trecho de "Perfume- História de um Assassino"