E pra que se desviar, parar ou pular de um abismo? Não! Ficaremos aqui. Ficaremos contigo, Amor. Aliás, o que é o amor? Onde é que ele tá quando eu mais preciso dele? Morre amor, se fode, me arrasta contigo pro céu ou pro inferno, me sequestra pra torre mais alta e se quiser pode me acordar com surra de pau de mole, tu é o amor, tu pode, tu traduz o sentido da minha existência. Motivado por ti, escravizado por ti, impulsionado por ti. Idiota! Não, eu não quis dizer isso, na verdade eu quis mas eu vou mentir pra você, pra você saber como eu me sinto.
"Shiiiiu! Silêncio. Ela vem vindo. Cale a boca, eu vou ver o que ela tem pra me dizer."
Ela era uma nômade, pra não chamar de puta... Gostava de samba e de forró, me chamou então pra dançar, encaixou-se da maneira mais sexy possível, esperou a contagem da baqueta e começou a me guiar assim que o acordeon entrou, nessa hora o mundo ficou em camera lenta, estava ela me olhando com a sobrancelha direita levantada e os olhos de cima pra baixo, com a cabeça um pouco inclinada, aquilo estava mexendo comigo, mas eu estava imune até então.
"Eu não!"
"Eu sou forte!"
"Não comigo".
Até que ela sorriu. Filha da puta!! Não era pra ter sorrido!! Que sorriso mais lindo era o dela. Me rendi, era amor, pela primeira vez era amor. Minhas mãos suavam, minha boca secava e tudo que tinha era cantina da serra por 1 real a dose. Era uma vez 28 reais... Bebi tanto que fiquei pisando no pé da moça, do meu amor, do tal meu primeiro amor, pisei tanto que ela preferiu dançar com outro. Eu nunca fui de matar ninguém... E também não matei dessa vez, mas acho que é bom deixar claro que eu nunca fui de matar ninguém. Eu tava pronto pra entrar no ringue com aquele magrelo só garantir que ela iria embora comigo. Aí começou a chover. O desgraçado tinha um guarda-chuva. Perdi de W.O. E nunca mais vi meu primeiro amor, não sei nem o nome dela...
Mas o sorriso dela era lindo.