A
história coloca três personagens em um inferno hipotético, onde são
obrigados a conviverem sem elementos que possam refletir a própria
imagem, a não ser os olhos dos habitantes do confuso ambiente.
A
filosofia existencialista, defendida por Sartre, responsabiliza o
indivíduo na escolha do caminho que melhor lhe agrada e orienta sobre a
importância dos sentimentos na vida das pessoas. O filósofo cita: “aquele que me olha é sempre o meu carrasco.”
Ou
seja, apesar do indivíduo desejar ser refletido na melhor forma, os
olhos dos outros ignoram esta aspiração e o enxerga em profundidade, com
o rigor que efetivamente ele, o individuo, não gostaria.
Sendo
assim, a importância dos outros para cada um de nós, gera influências
que podem se tornar um inferno, devido à incapacidade humana de
compreender nossas fraquezas. Ele cita: “o inferno são os outros” numa alusão à sua própria imagem refletida nos olhos de quem os observa.
A
afirmação sobre a vigilância e o julgamento constante aos quais somos
submetidos, não elimina a possibilidade de um paraíso. Neste caso, cabe
ao individuo a responsabilidade da escolha do caminho que mais lhe
agrada. Resumidamente, apesar de o inferno ser os outros é possível a
conquista do paraíso.
Entre
quatro paredes, sem janelas, sem pausas para a vida cotidiana e
descanso da observação aos olhos dos outros personagens, os três
protagonistas foram obrigados a conviverem. Cita um dos protagonistas
referindo-se ao piscar dos olhos, como fuga ao julgamento dos outros,
como se os seus olhos fechados impossibilitassem as críticas de quem o
observa: “A
gente abria e fechava; isso se chamava piscar. Um pequeno clarão negro,
um pano que cai e se levanta, e aí a interrupção. (...) Quatro mil
repousos em uma hora. Quatro mil pequenas fugas”.